EVENTOS CULTURAIS



CURSO INTENSIVO DE GEOMETRIA SAGRADA E OPERATIVA

por Luís Élye

Sintra - Associação Cultural Art of Living

9 de Maio

Inscrições limitadas

"As tuas mãos devem aprender que a matéria obedece a leis que não são convencionais; que é preciso, para fazer de uma pedra uma obra-prima, ter orelhas no coração e a alma viva nos dedos. Assim saberás que para escolher da rocha a pedra sem defeito que fará o obelisco ou a estátua perfeita, é necessário ao Mestre d'Obra um instinto tão seguro quanto o que indica ao animal selvagem o perigo imperceptível, ou a planta que o curará."
Isha Schwaller de Lubicz, Her-Bak “Pois Chiche

"A prática da Geometria é uma aproximação ao modo segundo o qual o universo está ordenado e se mantém. Os diagramas geométricos podem ser contemplados como pictogramas que revelam a acção universal, contínua e intemporal, geralmente oculta das nossas percepções sensoriais."
Robert Lawlor, Sacred Geometry

Desde sempre o ser humano se serviu da geometria para traduzir, compreender e explicar tanto o mundo natural como o sagrado e simbólico. A palavra geometria vem do Grego (geo + metron), e quer dizer medida, ou mensuração, da Terra.

Ao caminhar pela vida, cada ser humano, mesmo sem o saber, mede a Terra da medida dos seus passos, traçando no espaço e no tempo a forma da sua própria geometria pessoal. Esse traçado geométrico é único a cada indivíduo, e obedece a três tipos de leis distintas: as do Universo, as da espécie a que pertence, e às do seu próprio cunho pessoal e criativo. De facto, toda a existência, toda a acção, toda a vida, deixam um rasto (ou traçado) característico e individualizado, na trama formada pelas dimensões do Espaço e do Tempo. Esse traçado obedece a modelos geométricos, ou, pelo menos, pode ser interpretado, intuído, ou compreendido através de modelos geométricos. A vida humana é modelada pelos aspectos físico e espiritual e é precisamente à medida desses aspectos que se podem, e se devem, inserir as práticas, as manifestações e as aspirações da vida humana. Esse modelo humano é comum a todos os povos da Terra, variando apenas nas suas colorações culturais, temporais e sociais do momento e do local.

Todas as civilizações da nossa história desenvolveram processos próprios de compreensão do mundo natural e de integração ou harmonização nesse mesmo mundo. De facto, todas as grandes civilizações tiveram profundos conhecimentos tanto da estrutura geral da natureza (incluindo a do ser humano), como do modo mais adequado de equilibrar a actividade e a vida humanas com o meio ambiente em que se encontravam. Nos tempos do Antigo Egipto existia um tipo de sacerdote, conhecido pelo nome de Harpedonopta (o esticador da corda), encarregue da função sagrada da mensuração do terreno (ou agrimensura). Devia restabelecer por meios geométricos, e sem nenhuma sombra de dúvida, os talhões de terra que o Nilo devolvia na descida das suas águas após as cheias. A vida no Egipto dependia totalmente das terras fertilizadas pelo Nilo e, por isso, era vital para a economia do país saber exactamente a quem pertenciam os terrenos e onde começavam e acabavam os seus limites. Mas as funções do Harpedonopta não se limitavam às medidas no terreno: devia também conhecer a terra e os seus segredos, bem como saber reconhecer o potencial de cada terreno para a sua futura utilização. Devia reconhecer as formas mais adequadas e quais as orientações perfeitas; compreender a "pele terrestre" na assinatura das formas geológicas do local; pressentir os veios de água subterrâneos e as nascentes de água que pela sua qualidade e pureza iriam alimentar a vida; verificar os movimentos dos ventos e prever a sua influência, nefasta ou benfazeja. Para isso tinha de possuir variados e profundos conhecimentos: tinha de ser capaz de intuir a terra, tanto no seu exterior como no seu interior; de entrar em ressonância com os elementos presentes - minerais, vegetais e animais - para neles ler a qualidade do lugar e assim prever de que modo a vida nele se poderia desenrolar; tinha de compreender a acção do sol, da lua e dos astros durante os dias e as noites do ano, assim como os seus diferentes ritmos e estações; de entrar em contacto com a qualidade do ar e dos ventos, sabendo prever as suas possíveis intensidades e direcções; tinha de compreender os ritmos da vida, do crescimento e da morte, não só humanas mas globais; de visualizar as formas, as cores e modo de trabalhar os materiais mais indicados às actividades locais, efectuando desse modo o matrimónio vivo entre vida, símbolo e evolução. Resumindo, tinha de ter reunido harmoniosamente em si o todo de fora com o todo de dentro, pois a responsabilidade das suas funções era a de proporcionar as condições essenciais ao bem-estar e à saúde do corpo, da mente e do espírito. No império de Roma essa mesma função era conhecida pela designação de Decumanus (o dez-mãos, ou dez-palmos), encarregando-se este de reconhecer o local ideal para se construir uma nova cidade, um templo, palácios, villa, termas, etc. Na China, desde a antiguidade até aos dias de hoje, esses foram os atributos e as funções do Mestre de Feng-Shui (Vento e Água). Também na Europa, durante a Idade Média, essa função foi assumida pelos Maîtres d'Oeuvre (Mestres d'Obra), sendo estes sobretudo conhecidos pela sua responsabilidade na construção das grandes catedrais. Mais recentemente, os investigadores em Geobiologia (nova disciplina europeia semelhante ao Feng-Shui), trabalham com conhecimentos de geometria natural conhecidos e utilizados desde há milénios em Geometria Sagrada.

Todos os povos tiveram (ou têm ainda) os seus Harpedonoptas, os seus Decumani, os seus Mestres d'Obra... As aparentes diferenças de coloração são quase sempre só devidas às diferenças das condições locais. O ensinamento foi e é hoje ainda essencialmente o mesmo. Desde sempre transmitido oralmente, de mestre a discípulo, pelo exemplo, de modo tradicional e directo. A prática da Geometria é uma prática pessoal e experimental. Um caminho... Este é um caminho sem outras barreiras que não sejam as das condições locais, interiores ou exteriores. É um caminho global. Em qualquer ponto da Terra a prática é a mesma: a do Aqui e Agora. A Geometria Sagrada é uma das vias para essa prática.

O que se propõe com estes cursos de introdução é uma visita guiada ao mundo da Geometria Sagrada e Operativa: uma visita que passa pela amostragem e descodificação, assim como pela experimentação pessoal, do que se esconde por detrás da aparência dos objectos, obras de arte, locais ou monumentos sagrados.


PROGRAMA

.Aula Teórica - I
nício: 9h. Duração: 3 horas.
.Aula Prática - Início: 14h30. Duração: Até ao pôr-do-sol. Percurso iniciático, com visita a locais sagrados da região, valorizando sobretudo a experimentação pessoal da sensibilidade interior e da intuição.


Inscrições
Email: workshop@zefiro.pt

Envie-nos o seu nome, nº de telefone ou telemóvel e email.

Se tiver alguma dúvida, poderá contactar-nos através do nº: 219 248 969.

Preço
75 €
(inclui coffee break de manhã e à tarde)

Local
Associação Cultural Art of Living
Largo Ferreira de Castro, nº3 r/c
S. Martinho de Sintra
(Junto do bar Fonte da Pipa)
Tlf: 219 248 969

Horário
9h - 19h
(com intervalo de 60 minutos para almoço)

Solicita-se a todos os participantes o bom cumprimento dos horários, para que a workshop decorra da melhor forma.

Almoço
Aconselha-se aos participantes no workshop o almoço vegetariano no local. O preço de cada refeição é de 8 €.

Se estiver interessado, deverá mencioná-lo na altura da inscrição.

Nota
Para quem esteja a iniciar o seu curso de longa duração aconselha-se que participe neste módulo, para prosseguir então para os módulos seguintes.
Aconselha-se também que participe no Módulo I, onde receberá conceitos base para a compreensão dos restantes módulos de aprofundamento, ainda que não possa ou pretenda frequentar todos os módulos seguintes.

 

De origem Portuguesa, Luis Élye nasceu em Moçambique, em Novembro de 1965. Artista Plástico de profissão, homem de sete ofícios, e universal no sentido Renascentista, viveu e trabalhou em quatro continentes, foi Designer Gráfico e Fotógrafo freelancer durante dez anos, dedicando-se agora quase exclusivamente ao seu amor pelo Conhecimento Tradicional, pelo estabelecimento de uma cultura de Paz, e pela Arte, sobretudo no que respeita aos misteres de atelier de Belas-Artes e às técnicas de pintura a óleo tal como foram praticadas na Europa, desde o Renascimento até finais do Século XIX. Apaixonado desde muito cedo por tudo o que diz respeito ao Sagrado e à Espiritualidade, foi iniciado de forma tradicional ao antigo conhecimento da Geometria Sagrada, de Janeiro de 1998 a Novembro de 2005. Desde 2001 acompanha e dirige grupos na descoberta dos monumentos e dos lugares sagrados, sobretudo de Portugal, mas também de França, Suíça e Bélgica. É autor e tradutor de livros de divulgação das religiões e da espiritualidade do Extremo Oriente, sobretudo da China. Vive actualmente na Bretanha, em França.

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