OBRAS COMPLETAS DE ANTÓNIO TELMO | Filosofia e Espiritualidade

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CONTOS SECRETOS
- SEGUIDOS DE "A GOGA"

António Telmo


Obras Completas de António Telmo - Volume V

O PODER DA IMAGINAÇÃO CRIADORA: AUTOBIOGRAFIA E SOBRENATURAL

Se os contos são para António Telmo a filosofia servida à mesa do pobre, não será de estranhar que neste livro, onde se publica ainda o seu teatro inédito, confluam muitos dos temas que sustentam a grandeza do pensador, numa demonstração inequívoca de que, para o escritor assistido, a literatura é expressão do sobrenatural.

«Álvaro Ribeiro recebeu a sua segunda iniciação após ter terminado o curso de filosofia criacionista nessa associação secreta de que Leonardo Coimbra era o Grão-Mestre e que funcionava aberta ao público como Faculdade de Letras da Universidade do Porto, ingressando na Maçonaria pelo rito escocês, no mesmo dia em que foi recebido Domingos Monteiro. Findo o período de dormência imposto por Salazar, não foi convocado para a abertura dos trabalhos. É de conjecturar, atendendo à orientação que adoptou para o seu pensamento escrito, que tenha desagradado à vigilância das lojas azuis por ter tentado renovar e sublimar a doutrina maçónica, pelos princípios do martinismo, que a conduziam a valorizar o catolicismo como versão exotérica edificada sobre a mesma pedra. Acusado de reaccionário e apodado de retrógrado, não obteve melhor aceitação entre os católicos, mesmo entre aqueles que leram A Anunciação a Maria, de Paul Claudel, pela razão inversa de pretender reconduzir o catolicismo ao martinismo.»

António Telmo

«Com efeito, António Telmo não procura criar um estilo literário singular, como o fez Eça de Queirós ou José Saramago. Não procura abrilhantar a sua prosa com figuras retóricas, ao modo de Ramalho Ortigão, nem se deixa dominar pela eloquência, como os autores neo-românticos – escreve com a ‘naturalidade’ da linguagem comum, fazendo um óptimo uso da gramática. Não lhe interessam as correntes literárias, ser realista à Eça, naturalista à Abel Botelho, expressionista à Raul Brandão, presencista à José Régio, neo-realista à Alves Redol ou desconstrucionista à moda dos autores da década de 1960. Não explora os pormenores físicos e sociais do enredo à Fialho de Almeida nem a personalidade psicológica das personagens, como Vitorino Nemésio. Por isso, não pratica o romance, mas o conto, uma espécie incisiva de rasgão no tempo físico e cronológico do qual resta um enigma, um mistério, um segredo, que alerta o leitor para a existência de mais mundos (ocultos).»

Miguel Real in Prefácio

PRÉ-VISUALIZAR: ÍNDICE EXCERTO 1 EXCERTO 2

António Telmo nasceu em Almeida, distrito da Guarda, numa casa da rua do Convento, no centro do hexagrama formado pelas muralhas que cercam a vila. Foi no dia 2 de Maio de 1927, pelas duas horas da tarde. O Leão aparecia no horizonte e o Sol erguia-se alto no Touro. Partiu deste mundo rumo ao Oriente Eterno no dia 21 de Agosto de 2010. Por uma dessas estranhas coincidências que, por vezes, marcam a relação íntima de certos acontecimentos, nas Centúrias de Nostradamus, escritas há cerca de meio milénio, vem anunciado o nascimento do “grande Portugalois”, junto a um convento em “la Guardia”. Claro que esta Guarda é outra e outro é o convento. Quem dera ao autor deste livro pertencer a uma organização conventual de altos espíritos que guardassem o mundo humano nestes tempos de fim. Viveu em Portugal 72 anos e os restantes fora de portas: em Moçâmedes (Angola), Brasília (Brasil) e em Granada (Espanha), dividindo-se até hoje o seu tempo por dezassete lugares. Recorda com gratidão Arruda dos Vinhos, da sua infância, que é ainda hoje a forma terrestre do seu Paraíso; Sesimbra, a da sua juventude que lhe ensinou o mar, a amargura e a imaginação; Évora e o seu passado de sombras e de história; Redondo, onde, antes do 25 de Abril, fundou a primeira escola democrática do país. Ensinou crianças em Estremoz durante vinte e tal anos.
Em Brasília, a amizade de Eudoro de Sousa e de Agostinho da Silva pôs em professor universitário um homem que não teve a paciência nem gosto, até aos 40 anos, para completar a licenciatura na Faculdade de Letras de Lisboa. O aluno aqui era professor lá. Ensinou a Écloga IV, de Virgílio, durante três anos. Bastou-lhe este texto de algumas páginas, pois não confunde ensino com Internet. Iniciou-se como fazedor de livros aos 36 anos, com uma Arte Poética, não de versejar mas de dar voltas ao espírito. Tenciona nascer de novo, mas não sabe onde, nem quando, nem como, nem se isso é possível fora deste mundo.

Nº de Páginas: 300 | Formato: 16 x 23 cm | ISBN: 978-989-677-139-3


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