OBRAS COMPLETAS DE ANTÓNIO TELMO | Filosofia e Espiritualidade

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LUÍS DE CAMÕES E O SEGREDO D'OS LUSÍADAS
- SEGUIDO DE PÁGINAS AUTOBIOGRÁFICAS

António Telmo


Obras Completas de António Telmo - Volume III

A DESOCULTAÇÃO SIMBÓLICA DA OBRA DE CAMÕES

Entre a hermenêutica sagaz do esoterismo de “Os Lusíadas”, cifra da viagem iniciática do poeta, e a autobiografia de António Telmo, agora reconstituída a partir de inúmeras páginas que nos deixou, decide-se a vida espiritual do filósofo, num volume que revela dezenas de escritos inéditos.

«‘Não tenho necessidade de acontecimentos extraordinários para que em mim nasça o espanto, porque tudo quanto vemos e ouvimos a toda a hora sinto-o como um milagre.’

O José Marinho disse-me isto, visando talvez o meu interesse pelas ciências ocultas. É verdade que o disse a quem, como ele, apesar de lhe estar muito abaixo em experiência visionária, sabe ver, no entanto, na flor que abre, na folha que cai, no Sol que desponta e até no carro que rola segredos inefáveis.

(...) Eu penso, talvez ao invés do insigne filósofo, que a capacidade de ver em tudo que é corrente o excepcional constitui o caminho ou a antecâmara para que o propriamente excepcional venha ao nosso encontro. Falo, evidentemente, do imprevisível que traz consigo o sinal do bem e da verdade.»

António Telmo

«Deve desde já o leitor habituar-se ao carácter fragmentário da investigação que lhe é proposta. Inspirada, experienciada, feita de viagens, errâncias e perigos, toda a obra de António Telmo, e, em particular, a vertente que nela foi consagrada à razão poética do épico imortal, nos aparece como um grande poliedro de faces diáfanas, laboriosamente construído. Aqui e ali, deu-nos o filósofo, sobre o assunto, as mais amplas vistas, rasgando visões panorâmicas; além, e mais além, relevou e revelou, como revérberos, subtis aspectos de pormenor – tudo isto numa síntese diacrónica de feição assistemática, bem ao arrepio da suficiência sobranceira que costuma assistir os tratadistas.»

Pedro Martins in Prefácio


António Telmo nasceu em Almeida, distrito da Guarda, numa casa da rua do Convento, no centro do hexagrama formado pelas muralhas que cercam a vila. Foi no dia 2 de Maio de 1927, pelas duas horas da tarde. O Leão aparecia no horizonte e o Sol erguia-se alto no Touro. Partiu deste mundo rumo ao Oriente Eterno no dia 21 de Agosto de 2010. Por uma dessas estranhas coincidências que, por vezes, marcam a relação íntima de certos acontecimentos, nas Centúrias de Nostradamus, escritas há cerca de meio milénio, vem anunciado o nascimento do “grande Portugalois”, junto a um convento em “la Guardia”. Claro que esta Guarda é outra e outro é o convento. Quem dera ao autor deste livro pertencer a uma organização conventual de altos espíritos que guardassem o mundo humano nestes tempos de fim. Viveu em Portugal 72 anos e os restantes fora de portas: em Moçâmedes (Angola), Brasília (Brasil) e em Granada (Espanha), dividindo-se até hoje o seu tempo por dezassete lugares. Recorda com gratidão Arruda dos Vinhos, da sua infância, que é ainda hoje a forma terrestre do seu Paraíso; Sesimbra, a da sua juventude que lhe ensinou o mar, a amargura e a imaginação; Évora e o seu passado de sombras e de história; Redondo, onde, antes do 25 de Abril, fundou a primeira escola democrática do país. Ensinou crianças em Estremoz durante vinte e tal anos.
Em Brasília, a amizade de Eudoro de Sousa e de Agostinho da Silva pôs em professor universitário um homem que não teve a paciência nem gosto, até aos 40 anos, para completar a licenciatura na Faculdade de Letras de Lisboa. O aluno aqui era professor lá. Ensinou a Écloga IV, de Virgílio, durante três anos. Bastou-lhe este texto de algumas páginas, pois não confunde ensino com Internet. Iniciou-se como fazedor de livros aos 36 anos, com uma Arte Poética, não de versejar mas de dar voltas ao espírito. Tenciona nascer de novo, mas não sabe onde, nem quando, nem como, nem se isso é possível fora deste mundo.

Nº de Páginas: 374 | Formato: 16 x 23 cm | ISBN: 978-989-677-129-4

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